{"id":10811,"date":"2013-09-27T17:04:57","date_gmt":"2013-09-27T22:04:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cipamericas.org\/?p=10811"},"modified":"2013-09-27T17:04:57","modified_gmt":"2013-09-27T22:04:57","slug":"afroreggae-habilita-sede-em-sao-paulo-com-objetivos-diferentes-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.americas.org\/es\/afroreggae-habilita-sede-em-sao-paulo-com-objetivos-diferentes-do-rio\/","title":{"rendered":"AfroReggae habilita sede em S\u00e3o Paulo com objetivos diferentes do Rio"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-10812\" alt=\"_mg_9413-653x350\" src=\"https:\/\/www.americas.org\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/mg_9413-653x350-300x160.jpg\" width=\"300\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/www.americas.org\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/mg_9413-653x350-300x160.jpg 300w, https:\/\/www.americas.org\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/mg_9413-653x350.jpg 653w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><i>Por<strong> Dayanne Mikevis<\/strong><\/i><\/p>\n<p>O primeiro atentado levantou algumas d\u00favidas, em seguida, um segundo ato de viol\u00eancia contra o pr\u00e9dio deixou claro: o alvo era o AfroReggae. A not\u00edcia surpreendeu o Rio de Janeiro na \u00e9poca, mas para integrantes da ONG os dias de afli\u00e7\u00e3o j\u00e1 devem estar em seu t\u00e9rmino.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o surgida no Rio de Janeiro no in\u00edcio dos anos 1990 inicialmente como um jornal na comunidade de Vig\u00e1rio Geral e que se espalhou pela cidade e pelo mundo estava sendo amea\u00e7ada no Morro do Alem\u00e3o. Rea\u00e7\u00f5es de ojeriza \u00e0 viol\u00eancia surgiram em diversos meios com figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso condenando o ataque.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia foi ordenada pelos traficantes Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP. Ambos est\u00e3o presos na penitenci\u00e1ria de seguran\u00e7a m\u00e1xima de Catanduvas, no Estado do Paran\u00e1. Este Marcinho VP, ali\u00e1s, \u00e9 hom\u00f4nimo daquele retratado no livro Abusado, de Caco Barcellos, e o principal suspeito de sua morte em 2003. O Marcinho VP \u201cAbusado\u201d controlava o Morro Dona Marta e ficou famoso ao permitir a grava\u00e7\u00e3o de um clipe de Michael Jackson na comunidade e por ter algumas preocupa\u00e7\u00f5es sociais. Seu hom\u00f4nimo n\u00e3o partilha de tal reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ataque ao AfroReggae no Alem\u00e3o foi ordenado ap\u00f3s a pris\u00e3o de um l\u00edder evang\u00e9lico, o pastor Marcos Pereira da Silva, que foi capturado com a den\u00fancia de Jos\u00e9 J\u00fanior, diretor do AfroReggae. Marcos recebeu inicialmente no \u00faltimo dia 12 a senten\u00e7a de 15 anos de pris\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia pelo estupro de uma fiel de sua igreja. No entanto, ele enfrenta outras acusa\u00e7\u00f5es. J\u00fanior ligou o pastor com o tr\u00e1fico de drogas. Atualmente Marcos, segundo a pol\u00edcia, \u00e9 investigado pela den\u00fancia do l\u00edder da ONG, al\u00e9m de quatro homic\u00eddios e lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>Ao denunciar Marcos, o AfroReggae cruzou uma linha proibida? J\u00fanior disse ao Portal G1 que havia den\u00fancias sobre os atos de Marcos que datavam de 20 anos, e algumas que inclu\u00edam pedofilia. No entanto, nada podia ser feito. A Cufa, que tamb\u00e9m conta com uma unidade do Morro do Alem\u00e3o, decidiu suspender suas atividades em solidariedade ao AfroReggae.<\/p>\n<p>O panorama, no entanto, vem mudando. \u201cA poeira est\u00e1 come\u00e7ando a abaixar\u201d, disse Gabriela Busnelo, respons\u00e1vel por comunica\u00e7\u00e3o e assistente t\u00e9cnica do AfroReggae em S\u00e3o Paulo, onde a ONG abriu uma sede h\u00e1 pouco tempo. Ela tamb\u00e9m ressalta o papel que a m\u00eddia orquestra como \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d a J\u00fanior. \u201cA m\u00eddia est\u00e1 toda do lado do AfroReggae, est\u00e1 todo mundo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Crime n\u00e3o v\u00ea ONG como \u201cconcorrente\u201d<\/p>\n<p>Roberto Pacheco, coordenador geral do escrit\u00f3rio de S\u00e3o Paulo, explicou que o fechamento da unidade do AfroReggae no Morro do Alem\u00e3o ocorreu para preservar a seguran\u00e7a das pessoas que faziam uso do local. Em anos de atividade, o paulista de pouco mais de 50 anos que passou duas d\u00e9cadas no Rio de Janeiro disse que poucas foram as ocasi\u00f5es em que o risco se apresentou para a ONG. Ele negou que a ideia bastante disseminada de que tais institui\u00e7\u00f5es \u201cconcorrem\u201d com o tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o gera desconforto, porque educa os pr\u00f3prios filhos dos traficantes\u201d, afirmou Beto. Ele frisou que o grupo n\u00e3o faz nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre as pessoas que atende. \u201cN\u00e3o importa quem \u00e9 filho de quem\u201d.<\/p>\n<p>Chinaider Pinheiro, coordenador do projeto Empregabilidade em S\u00e3o Paulo, agrega: \u201cO traficante n\u00e3o quer ver o filho dele no crime. Ele apoia iniciativas como o Afro Reggae\u201d. Ele \u00e9 um exemplo de sucesso na ONG.<\/p>\n<p>Nascido e criado em Vig\u00e1rio Geral, Chinaider entrou no tr\u00e1fico em 1996 e foi preso pela primeira vez em 1997, quando passou pela \u201cfaculdade\u201d \u2013apelido dado \u00e0 pris\u00e3o Bangu III. Ap\u00f3s fazer contatos e aprender t\u00e1ticas na pris\u00e3o, ele teve uma carreira bem sucedida no crime e chegou a ser chefe cinco bocas no Rio de Janeiro, incluindo a de Vig\u00e1rio Geral. Recapturado em 2007, ele aceitou, ainda na pris\u00e3o, a oferta de J\u00fanior para sair do tr\u00e1fico e ir trabalhar no AfroReggae.<\/p>\n<p>Chinaider completou ent\u00e3o o Ensino M\u00e9dio e hoje estuda Direito. Sua vida pessoal tamb\u00e9m \u00e9 intrigante, pois ele \u00e9 pai de seis filhos com cinco mulheres. Atualmente mora com apenas uma (quando estava no tr\u00e1fico morava com v\u00e1rias) seu filho com ela e um filho dela, um pouco mais velho, em um bairro perif\u00e9rico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Pessoalmente, ele se mostrou um dos mais tristes pela s\u00e9rie de amea\u00e7as dirigidas ao AfroReggae. \u201cEncaro essas amea\u00e7as com muita tristeza, principalmente porque foram da fac\u00e7\u00e3o a que eu pertenci\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o de Pinheiro em S\u00e3o Paulo \u00e9 movimentar um programa que auxilia egressos do sistema carcer\u00e1rio a encontrarem um trabalho. Como mote, ele tem sua pr\u00f3pria experi\u00eancia. Apesar de inicialmente ser o mais avesso a apontar os riscos nas atividades do AfroReggae, ele confessa que, mesmo n\u00e3o sendo do time de mediadores, sentiu medo de entrar em \u00e1reas do Terceiro Comando ap\u00f3s ter sa\u00eddo da cadeia, j\u00e1 que ele havia sido da fac\u00e7\u00e3o rival Comando Vermelho. Mais uma vez a influ\u00eancia de J\u00fanior foi requerida.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a (ou aus\u00eancia) do Estado<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como o AfroReggae nascem claramente da aus\u00eancia do Estado. Com a chegada da pol\u00edcia e servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e0s favelas do Rio, a quest\u00e3o se a g\u00eanese das ONGs muda \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os entrevistados negam que isso aconte\u00e7a, ao contr\u00e1rio. \u201cA UPP ajuda bastante. Tem menos ostenta\u00e7\u00e3o. Para mim, a principal diferen\u00e7a \u00e9 que a galera do asfalto est\u00e1 subindo o morro\u201d, afirma Busnelo.<\/p>\n<p>\u201cQuando rolava tiroteio, a gente tinha que parar. Hoje o projeto est\u00e1 sendo abra\u00e7ado pela cidade toda\u201d, afirmou Pacheco.<\/p>\n<p>ONGs paulistas trabalham seus espa\u00e7os<\/p>\n<p>Pacheco, chamado pelos colegas de Beto, nasceu no bairro paulistano da Casa Verde e retornou para o novo passo do AfroReggae, que abriu seu escrit\u00f3rio em abril no tur\u00edstico pr\u00e9dio conhecido como \u201cBanesp\u00e3o\u201d, no centro de S\u00e3o Paulo, e abriga unidades do Banco Santander.<\/p>\n<p>Ele conta j\u00e1 ter visitado algumas institui\u00e7\u00f5es locais para fazer parcerias, pois a estrutura da ONG aqui ser\u00e1 diferente da montada no Rio.<\/p>\n<p>\u201cA ideia n\u00e3o \u00e9 se sobrepor, \u00e9 levar a experi\u00eancia do AfroReggae\u201d, afirma. Beto certamente ir\u00e1 encontrar um cen\u00e1rio vibrante na maior cidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fora do mundo das grandes ONGs, a hist\u00f3ria de organiza\u00e7\u00f5es bem sucedidas se repete em v\u00e1rios pontos da cidade. No extremo leste da cidade, o Pombas Urbanas leva oficinas que atendem de crian\u00e7as a idosos em Cidade Tiradentes, um bairro que nem completou 30 anos ainda.<\/p>\n<p>Criado durante a ditadura militar, como explica Juliana Flory, uma das integrantes da trupe que pertence aos quadros desde sua funda\u00e7\u00e3o, o bairro se resume em um conjunto de pr\u00e9dios para os quais foram transferidos moradores de corti\u00e7os e favelas da regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, em um processo de \u201climpeza\u201d da regi\u00e3o. Afastado, Tiradentes cresceu como pode. H\u00e1 ainda, at\u00e9 hoje, grande v\u00e1cuos institucionais como a quest\u00e3o do transporte e a sombra sempre presente no Estado do PCC.<\/p>\n<p>No entanto, Flory, que mora na regi\u00e3o devido a seu trabalho, disse que nunca tiveram problemas de seguran\u00e7a na \u00e1rea. O \u00fanico epis\u00f3dio lament\u00e1vel foi o roubo de dois ve\u00edculos com computadores para a montagem de um telecentro. Tempos depois, um ve\u00edculo reapareceu em frente \u00e0 delegacia mais pr\u00f3xima com equipamento dentro. O outro sumiu, a perda foi de 50%.<\/p>\n<p>Ela ressalta que institui\u00e7\u00f5es como o AfroReggae, que tem bra\u00e7os que trabalham com media\u00e7\u00e3o, est\u00e3o naturalmente mais expostas ao risco. Tamb\u00e9m afirma que o grupo n\u00e3o faz nenhum tipo de sele\u00e7\u00e3o com os alunos e repetiu o \u201cningu\u00e9m pergunta de quem a crian\u00e7a \u00e9 filha\u201d. Ali, naquele ponto afastado da cidade, todos s\u00e3o iguais.<\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos dias, Cidade Tirantes estava em festa com o V Encontro Comunit\u00e1rio de Teatro Jovem acontecia no galp\u00e3o do Pombas Urbanas, com uma companhia de teatro do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade estava ansiosa, em festa, tinha gente que me perguntava quando o pessoal do M\u00e9xico ia chegar. Eles queriam comprar cerveja para receber os visitantes\u201d, afirma a atriz, m\u00fasica e coordenadora de projetos.<\/p>\n<p>Assim, em diferentes graus e com graus de inser\u00e7\u00e3o variados, as ONGs ajudam a abrir oportunidades e desenvolver talentos em \u00e1reas com poucas op\u00e7\u00f5es de atividades ou que sofrem com estigma social.<\/p>\n<p><i><strong>Dayanne Mikevis<\/strong> \u00e9 jornalista, escreve em geral sobre temas ligados a direitos humanos, democracia e diversidade e contribui para o Programa das Am\u00e9ricas em <\/i><i>www.americas.org\/es<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s crise, julgamento de criminoso deve trazer normalidade a trabalho de ONG<\/p>\n","protected":false},"author":168,"featured_media":10812,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[4884,4912],"tags":[],"coauthors":[],"class_list":["post-10811","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-democracia","category-movimientos-sociales"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/168"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10811"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10811\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10811"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.americas.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}